Autor: Daniel Brandão, Diretor Comercial da Assurant no Brasil
Ao observar as temáticas dos últimos seis anos da NRF — período em que tive a oportunidade de acompanhar presencialmente cada edição — fica evidente a velocidade da transformação: saímos da integração omnicanal e da otimização orientada por dados para chegar à orquestração por Inteligência Artificial como verdadeira infraestrutura do negócio.
A IA deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a funcionar como um sistema operacional que conecta estratégia, operação e modelo de negócio — com destaque especial para a chamada IA orientada por agentes, capaz de decidir e executar ações ao longo de diferentes fluxos.
Essa mudança esteve presente em todos os debates e demonstrações da NRF 2026. Relatos de lideranças empresariais e especialistas destacaram a transição do “o que a IA pode fazer” para “onde ela entrega impacto e como governar agentes em ambientes vivos”.
IA como infraestrutura: três deslocamentos profundos
- Estratégia: Deixa de apenas apoiar a tomada de decisão para gerá-la. Painéis e análises mostraram a substituição de dashboards por sistemas prescritivos capazes de modelar cenários complexos (por exemplo: “qual será o impacto de uma onda de calor nas vendas de refrigerantes e nos custos logísticos da próxima semana?”).
- Operação: A integração torna-se total. A IA conecta previsão de demanda, reabastecimento automatizado de armazéns, roteirização de entregas e ajuste de ações comerciais nos canais digitais — tudo com intervenção humana mínima.
- Modelo de negócio: Surge o conceito de Varejo como Serviço, impulsionado por IA. Marcas passam a oferecer assinaturas de reabastecimento automático, produtos personalizados sob demanda e experiências proativas de pós-venda, nas quais o relacionamento é contínuo, não apenas transacional.
A loja física como hub do ecossistema inteligente
A loja deixou de ser “mais um canal” e tornou-se o núcleo sensorial e relacional de um ecossistema alimentado por dados:
- Experiência contextual, no local: Sensores, câmeras (com privacidade garantida) e dados do aplicativo permitem à loja reconhecer quem entrou, acessar histórico e preferências em tempo real e orientar colaboradores a oferecer recomendações hiper-relevantes. Vitrines digitais ajustam automaticamente sua exibição conforme o perfil de quem está à frente.
- Lojas de referência como laboratórios de marca e comunidade: Tornaram-se palcos para lançamentos imersivos, oficinas e experiências coletivas. A venda é consequência. O propósito é gerar conteúdo, insights qualitativos e conexão emocional que retroalimenta todo o relacionamento digital.
- Papel operacional sofisticado: A IA gerencia, em tempo real, o estoque da loja — não apenas o que vai às prateleiras, mas qual item deve ser destinado a um pedido online, reservado para retirada ou priorizado para reposição. O resultado é uma loja física mais dinâmica, precisa e inteligente.
- Capacitação para a coexistência — pessoas no centro da máquina: Com a IA assumindo a complexidade analítica e operacional, o papel humano avança para aquilo que a tecnologia não faz: criatividade, empatia, solução de problemas não estruturados e construção de cultura de marca.
Onde o Seguro Integrado cria valor nesse novo desenho
Na NRF 2026, emergiu um fio condutor: a compra deixa de ser o ponto final e passa a ser o início de um ciclo de relacionamento — e é exatamente aqui que o Seguro Integrado se encaixa de forma orgânica, ampliando receita, satisfação e valor ao longo do tempo, com proteção contextual e mínima fricção.
Por que isso é estratégico? O varejo está ancorando a experiência em agentes automatizados e protocolos que reduzem etapas da jornada — buscar, comparar, comprar e proteger. Nesse ambiente, produtos de proteção integrados reforçam a confiança e ampliam a receita recorrente exatamente quando a decisão de compra acontece — seja tomada diretamente pelo consumidor ou pelo assistente digital que atua como extensão das escolhas do cliente.
É nesse ponto que surgem, de maneira prática, as três dimensões onde o Seguro Integrado entrega valor imediato e mensurável.
- Proteção no momento decisivo
Produtos como eletrônicos, eletroportáteis e móveis se beneficiam da proteção integrada à jornada de compra, com oferta contextual e precificação dinâmica e fluida. O crescimento global desse modelo é consistente, impulsionado por integrações nativas e jornadas totalmente digitais. - Pós-venda proativo
Sistemas inteligentes utilizam dados de uso e de ciclo de vida para sugerir ajustes de cobertura, renovações ou serviços adicionais — tudo integrado ao aplicativo ou à conta do varejista, reforçando continuidade e conveniência. - Fluxos simplificados como experiência fortalecedora
Quando apropriado, resoluções são realizadas dentro da própria loja — por meio de trocas imediatas ou vales — reduzindo atritos e fortalecendo a confiança. Trata-se de uma evolução alinhada ao movimento mais amplo de jornadas orientadas por sistemas inteligentes e assistentes digitais.
A NRF 2026 nos revelou que o futuro do varejo não será definido apenas por tecnologia, mas pela capacidade de criar relações que evoluem a cada interação. Quando inteligência artificial, experiência humana e proteção se entrelaçam, surge um varejo mais intuitivo e mais próximo das pessoas. É nesse ponto de convergência — onde confiança encontra cuidado — que nasce o verdadeiro valor de uma jornada contínua.
